[...]Eu costumava amar esse gosto que se torna tão amargo descendo em minha garganta me evitando de bebe-lo, mas eu não me importo, continuo tomando-o, amargo, ardente, repugnante, causando-me um mal estar tremendo, uma queimação no estômago que posso senti-lo pular... Doi e continuo a beber[...]
- Mais uma taça deste por favor! - Dizia bem decidida, olhando distante, fixamente em nada, de longe eu a observava. Devia ter seus vinte e poucos anos, ou talvez menos, tinha a sensação de ouvir seus pensamentos e de alguma forma me chamava a atenção.
Dentro daquele lugar fazia tanto frio que eu não conseguia aguentar o ar condicionado em 24º graus, talvez eu não aguentasse sentir a minha própria frieza que minha alma insistia em me lembrar. Apenas a observava beber aquilo que lhe fazia tão mal, me perguntava o porque dela simplesmente continuar, será que lhe agradava sua própria dor ? Ela se torturava de alguma forma.
Era inverno nessa maldita cidade, acostumada com o calor ainda estranhava tanto frio, fui um pouco para fora do ambiente fumar um cigarro, meu corpo pedia nicotina. Pessoas entravam e saiam dali, eram totalmente iguais, frias e vazias, somente os rostos que se variavam, eram desconhecidos mas eu não era diferente disso, o gosto de ferro em minha boca me dizia exatamente como eu era e talvez a atenção intrigante daquela mulher de vinte e poucos anos fosse porque na verdade ela é semelhante a mim. É, acho que deveria voltar para mesa e olhar-la mais um pouco...
Abri a porta, meus olhos seguiram em direção aonde ela estava, não a via, não tinha ninguém ali em seu lugar, estranhei, mas logo em seguida pude ve-la vindo em minha direção, senti meu coração levemente se disparar, indaguei a situação e continuei andando, de cabeça baixa ela passou por mim, não pude ver seu rosto mas ela realmente passou muito perto, pensei até que fosse se esbarrar em mim, tão perto que seus cabelos longos tocaram minha face, pude sentir o seu perfume, era único, embaralhava as minhas sensações, através do cheiro, eu sabia quem era, eu a conhecia muito mais do que eu imagina, em cima da mesa aonde estava sentada havia um bilhete, eu havia adivinhado o pensamento dela exatamente, que dizia: ' Eu costumava amar esse gosto que se torna tão amargo descendo em minha garganta [...]
Era ela...
Era ela...

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